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08/05/2020

Consultoria GBrasil

Gestão de Crise: um planejamento para a saúde do seu negócio

Especialistas GBrasil indicam como se distanciar do prejuízo em 5 passos

Pedro Duarte

Uma crise impede um momento de crescimento para a grande maioria das empresas. Exceto empresas dos ramos da saúde, produção de máscaras e álcool em gel, por exemplo, pouquíssimos empresários não contabilizam prejuízos neste momento. Comércio, indústria e serviços, da mesma forma que as previsões sobre o comportamento do PIB brasileiro, têm suas expectativas afetadas, assim como suas perspectivas sobre como agir durante e após a pandemia da Covid-19.

Este cenário força empresas de portes variados a mudar relações com os consumidores e com os fornecedores. Para não se perder neste momento crítico, especialistas do GBrasil listaram 5 passos cruciais para manter o seu negócio com o menor dano financeiro possível.

1 – ORIENTE-SE POR ANÁLISES CONSTANTES

Segundo dados do Serasa Experian, a atividade do comércio em março caiu 16,2% em comparação com fevereiro e deve manter esta queda por alguns meses. Uma análise dos pormenores da empresa pode revelar se é necessário realizar descontos, e em quais produtos ou serviços, ou se é preciso suprir novas demandas do consumidor, com oferta de um pacote diferente ou pela adaptação de serviços, por exemplo.

Para Camila Coelho, diretora da Marpe Contabilidade (GBrasil | Fortaleza - CE), o maior aliado neste caso é um Fluxo de Caixa Projetado. “As empresas que possuem uma assessoria contábil competente e que a ela oferecem informações críveis têm uma ferramenta poderosa nas mãos para este momento de crise. Inclusive para ousar, investir e sair na frente com as novas tendências de consumo”, opina a contadora.

Em um momento que exige tamanho cuidado, basear-se em cálculos é a melhor estratégia. Fazer análises semanais sobre as suas vendas; construir um relatório sobre os produtos e serviços que mais tiveram saída durante o período; adaptar sua vitrine e, sobretudo, tentar expandir a oferta de produtos e/ou serviços online representam um bom começo.

2 – ATIVE SEUS CANAIS DE COMUNICAÇÃO

Com muitas empresas fechadas, a presença de usuários nas redes sociais aumentou. Segundo o Facebook, as plataformas Messenger e WhatsApp registraram "em muitos dos países mais afetados pelo vírus" um tráfego 50% maior em meados de março. Nada impede que você tome carona nesta onda utilizando os seus canais digitais para divulgar seus produtos a pronta entrega ou serviços online.

Na Paraíba, Rebeca Cavalcanti, da RC Assessoria Contábil (GBrasil | João Pessoa), também vê esse movimento. “A maioria dos clientes iniciaram entregas por delivery e intensificaram a presença nas redes sociais. Estão vendendo pelo WhatsApp, alguns entraram no iFood, em projetos de incentivo a restaurantes e bares, alguns recorreram até ao Instagram Shop”, conta a diretora comercial.

Já o setor de e-commerce, entre 15 e 24 de março, apresentou um salto valioso, alguns segmentos com mais de 400% de alta, conforme pesquisa da Konduto. “A maioria está se virando bem com essas opções, mas claro que não é o mesmo, os restaurantes tiveram de trabalhar com desconto e as lojas de roupa acabam diminuindo as vendas também”, alerta a associada paraibana. Também é prioritário investir em uma estratégia adequada para os canais digitais da empresa, diz uma pesquisa da Nielsen Media Research, além da presença correta com linhas telefônicas, aplicativos de mensagens e redes sociais, sempre com prontidão.

3 – MANTENHA A MÉDIA DE PREÇOS

Elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços é considerado pelo Código de Defesa do Consumidor – inciso X, artigo 39 – prática abusiva e pode implicar em multa. De acordo com o Procon, é considerada uma elevação com justa causa aquela decorrente de fatores externos.

Nas palavras do Procon-DF, “não há um percentual prévio que determine o que é ou não preço abusivo”, esta concepção decorre de interferências como a cotação de moedas estrangeiras, o desabastecimento e a inflação. “Se o fornecedor não teve aumento expressivo de custos, não deve elevar arbitrariamente o preço dos produtos, baseando-se somente na lei de oferta e procura, ainda mais considerando a situação de calamidade gerada pela pandemia. É necessário observar e atentar-se ao abuso do poder econômico que é intrínseco ao aumento abusivo de preços”, reitera o órgão.

Para Camila Coelho, isso mudará a perspectiva de consumo. “Já estávamos em um movimento que a tecnologia nos impunha de entregar mais por menos. Penso que essa regra só vem a se enraizar. Com a crise econômica, o poder aquisitivo tende a diminuir. Consequentemente, os gastos serão cada vez mais movidos pela razão. Entregar valor será o grande diferencial aliado a preço justo”, afirma a associada.

4 – NEGOCIE DÍVIDAS

Instituições financeiras públicas e privadas deliberaram cortes nas taxas de juros de empréstimos para pequenas e médias empresas. Ainda assim, contrair dívidas deve ser um último recurso durante este período de incerteza. Primeiro, é indicada a negociação com fornecedores e, se houver, locadores. “É fundamental começar este processo o quanto antes. Neste momento, é importante ter caixa pra suportar. É necessário conhecer e relacionar quais as principais dívidas e fornecedores”, enfatiza Camila Coelho.

Para Rider Pontes, diretor da Unicon (GBrasil | Vitória - ES), toda a importância resume-se em “manter o fluxo de caixa”, mesmo que isso implique no parcelamento de valores devidos ou adiamento de uma porcentagem do pagamento para quando o protocolo de isolamento for encerrado em sua região.

Por meio do diálogo, você pode buscar essa negociação, levando em conta o prejuízo de ambas as partes neste período. “Com relação aos fornecedores, entrar em contato para uma possível negociação, é claro, ponderando o impacto que o fornecedor tem pra manutenção da sua atividade”, aconselha a diretora da Marpe.

5 – EVITE O CORTE DE PESSOAL

O Governo Federal tem, desde o mês de março, adotado recursos de socorro para que empreendedores e empresários sofram menos danos com a crise. Entre as primeiras ações, no escopo da Medida Provisória 936, estão a suspensão do contrato de trabalho e a redução da jornada de trabalho com proporcional diminuição no salário. Essas normas buscam um melhor cenário, em um momento em que a taxa de desemprego está em 11,6%, equivalente a 12,3 milhões de desempregados (IBGE).

Com os custos de uma rescisão contratual, demitir pode não ser o caminho mais adequado tendo em vista a possível redução de gastos com pessoal. Para Camila Coelho, analisar o cenário de cada segmento da economia é crucial. “Caso seja possível, aconselhamos a não rescindir, pela questão social. A suspensão pode ser uma saída. No entanto, como ela gera a estabilidade, pode ser que o segmento não consiga suportar na retomada. Um fluxo de caixa bem elaborado pode auxiliar nesse momento”, sugere a contadora.

Rider Pontes afirma que é importante visualizar o panorama pós-pandemia. “Manter contratos, sem aceno positivo de retorno da movimentação econômica, vai representar elevação do custo com o próprio pessoal sem qualquer retorno. De outro lado, havendo possibilidade de retorno, o empresário deve medir a sua situação e dosimetrar as suspensões e reduções de jornada”, aconselha o contador.

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