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19/06/2020

Varejo & Consumo

Mesmo com pandemia, franchising consegue saldo positivo e mantém expectativas de expansão

Conheça os dados e os segmentos que impulsionam o setor que já arrecadou mais de R$ 41 bilhões neste ano

Pedro Duarte

A Associação Brasileira de Franchising (ABF) divulgou na primeira semana de maio os dados de desempenho do setor no primeiro trimestre de 2020. Mesmo com bons índices nos dois primeiros meses do ano, com receita superior ao registrado no mesmo período do ano passado, o início do protocolo de isolamento social – e o consequente fechamento de shoppings e centros comerciais – em meados de março afetou a expectativa de crescimento e o faturamento das franquias em todo Brasil.

Em 2019, o primeiro trimestre foi marcado por um crescimento de 7% no faturamento, alcançando R$ 41,464. Neste ano, os números somaram R$ 41,537 bilhões arrecadados, apenas 0,2% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. O faturamento acumulado nos últimos 12 meses mostrou um rendimento 5,2% maior, com a evolução de R$ 177,988 bi para R$ 186,828 bilhões de receita adquirida.  

Dados da ABF, divulgados em 2019, mostram que 25% das redes de franquias possuem unidades concentradas em shoppings. Na primeira semana de maio deste ano, esses estabelecimentos receberam um novo fôlego: 218 shoppings foram reabertos à visitação. Com recomendações da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os shoppings retomaram a atividade com alguns cuidados, entre eles o horário reduzido de funcionamento; a obrigatoriedade do uso de máscaras; o controle de acesso de clientes às lojas, para evitar aglomerações; e o distanciamento físico das instalações das lojas e centros de alimentação. As medidas buscam oferecer maior segurança para clientes e funcionários, visto que a movimentação de clientes tende a ter uma retomada rápida, como a registrada em Blumenau (SC) e Brasília (DF), onde filas foram formadas na reabertura desses espaços.

Apesar desse fluxo, a maior parte das redes franqueadoras sofreu impacto negativo acima de 25% em seu faturamento devido à pandemia, principalmente entre a primeira e a segunda quinzena de maio, enquanto apenas 8% das franquias se mantiveram estáveis. Moda e Alimentação foram os segmentos de franchising mais afetados, sentindo um recuo de 1,5% e 1,6%, respectivamente. No lado oposto, destaque para os segmentos de Serviços Automotivos (+7,4%), Limpeza e Conservação (+5,6) e Comunicação, Informática e Eletrônicos (+6,9%), com os melhores desempenhos, gerando um equilíbrio no saldo total do franchising.

A alta nestes setores também está ligada à pandemia. Os serviços de entrega fazem necessário o suporte em manutenção, revisão e reparos em carros e motocicletas. A procura por serviços de higienização e a crescente preocupação com a qualidade sanitária de espaços como, por exemplo, condomínios e estabelecimentos comerciais figuram entre as causas da alta no setor de Limpeza. E o alto investimento em marketing digital e comunicações online de forma geral, recurso usado por empresas para manter as vendas durante o período, justificam os dados desta especialidade no setor.

Outros recursos utilizados pelas empresas foram a transição para serviços digitais e delivery, bem como divulgação de orientações sobre a covid-19, ações que foram implementadas por mais de 85% das franquias. O uso de promoções, abertura de e-commerces, formação de comitês de crise e a inovação na criação de novos produtos e serviços também foram ferramentas empregadas por mais de 60% das unidades franqueadas, segundo o relatório da ABF. As franqueadoras, por sua vez, aplicaram antecipação de férias e suspensão do fundo de marketing, medidas que alcançaram entre 60% e 52% das empresas de franchising. Royalties reduzidos ou suspensos não foram muito executados e estão, para maior parte das franqueadoras, fora de consideração no momento. Já o parcelamento desses valores está no radar de 14% das empresas, enquanto muitas outras (49%) já a empregam em suas relações com os franqueados.

O crescimento moderado visto no faturamento trimestral também é observado nas contratações. A geração de empregos por franquias brasileiras se limitou a um aumento de 0,3%, totalizando 1.361.795 empregos diretos, em contraponto ao trimestre anterior, que consolidou saldo positivo de 2,5%, com 1.358.139 vagas preenchidas. Apesar da crise, o setor mantém dados otimistas. A análise da ABF aponta que os planos de expansão foram mantidos por 33,6% das empresas e 14,1% incrementaram os seus esforços para esse objetivo.

Para capacitar os empresários que estimam entrar no setor, a Associação criou, junto ao Sebrae, o Game Franquias Brasil, um jogo de estratégia voltado para o aprendizado no ramo de franquias. Com dicas sobre administração, gestão de pessoas e marketing, o jogo permite que o usuário crie sua franquia (dentre as categorias disponíveis) e a gerencie para atingir as metas apontadas. Ao longo do percurso, o desafio é se manter lucrativo diante da concorrência enquanto absorve conceitos da área administrativa como o manejo da Demonstração de Resultados de Exercício (DRE) e mantém uma saudável relação com o franqueador.

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